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eu sou uma atriz ou eu sou uma gaivota?

domingo, janeiro 04, 2009

EIS UM CULTO

Na verdade vos digo, eis um culto.

Nem eu sabia, mas estávamos cultuando.

Amassei as uvas, dali os caroços pulavam, saiam pela bacia,

pairavam no suco da preta uva,

já não havia mais cascas,

era tudo às claras.

Liberava-se a máscara,

triste e feliz.


A sacerdotisa,

no acaso veio em mim,

distribuiu o suco

já transformado em vinho

pela essência das especiarias:

linhaça, cravo e gengibre,

cuidadosamente

medidos e preparados.


Após três copos estávamos magicamente embriagados.

Tudo se organizou,

alguém organizou,

no acaso Ele.


Já estávamos em círculo.

Em algum outro lugar

já estivemos em círculo

como ali.


Na melhor maneira,

em que todos pudessem se tocar.

Os corpos foram acariciados,

acalmados,

massageados

pelos corpos, outros.


Repentinamente tudo se desmorona

Todos deitam,

outra posição.


A Sacerdotiza,

no acaso veio nela,

a mais velha e

ordenou,

numa leve brincadeira,

um beijo.

Esse beijo foi

sendo passado como um

cristal que não poderia cair e quebrar

e sim

entregue ao próximo,

como dela saiu.


O homem seu súdito

recebeu,

passou.

A menina atrevida,

recebeu.

Ria,

a danada

passou o beijo para o homem mais experiente,

amigo da sacerdotisa,

entendia o gozo,

aquela sensação ali cultuada,

sensação da vida,

da produção

reprodução.

Esse mesmo homem passou aquele beijo pra mim,

a mais nova,

ainda não iniciada

nos prazeres da vida.

Mostrei que sabia,

fingida,

de fato achava que sim.

O pré – prazer veio

e arrepiei.

Ué?

Que isso?

Os lábios do homem encostavam em minha nuca

Gritei.

Como uma virgem

Sangrei.

Como Maria

Misturei a dor e a alegria,

Mistura, essa,

só proveniente

dos mistérios da cabala.

Oculto?

a dor e a alegria se mostravam,

desvendavam interpretações.




Era aquilo

o prazer da vida.

Não menos doloroso

Não menos prazeroso.

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